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Ciência

Déjà vu pode ocorrer quando vivenciamos uma situação com "layout" parecido com algo já vivido

Por João Paulo Martins  em 10 de outubro de 2022

Segundo uma cientista americana, o cérebro reconheceria estruturas espaciais já conhecidas e daria a sensação de se ter vivenciado a experiência inédita

Déjà vu pode ocorrer quando vivenciamos uma situação com "layout" parecido com algo já vivido
(Fotos: Freepik e Pixabay)

 

Com certeza você já teve a sensação estranha de já ter visitado um lugar até então desconhecido, ou repetido determinada situação. Esse fenômeno, conhecido como déjà vu (que significa "já vi" em francês), intriga cientistas e filósofos há muito tempo. Possíveis explicações surgiram no final do ano 1800, como se fosse uma disfunção mental ou mesmo resultado de algo paranormal, como uma experiência de “vidas passadas”.

Em artigo publicado no site The Conversation, a pesquisadora americana Anne Cleary, da Universidade Estadual do Colorado (EUA), conta que realizou experimentos com o objetivo de testar hipóteses sobre possíveis mecanismos que geram o déjà vu. “Investigamos uma hipótese quase centenária que sugeria que o déjà vu pode acontecer quando há uma semelhança espacial entre uma cena atual e uma cena não lembrada em sua memória. Os psicólogos chamaram isso de hipótese da familiaridade da Gestalt”, diz a cientista.

Nesse caso, segundo Anne, trata-se de vivenciar uma situação desconhecida, mas que apresenta “layout” (estrutura) similar a algo já vivido no passado. O cérebro encontra elementos muito parecidos, mas como o layout anterior não vem à mente, você pode ficar apenas com um forte sentimento de familiaridade com o atual.

Para investigar essa ideia no laboratório, a equipe da cientista americana usou realidade virtual para colocar os voluntários dentro de cenas que poderiam gerar gatilho de déjà vu. “Dessa forma, poderíamos manipular os ambientes em que as pessoas se encontravam. Algumas cenas compartilhavam o mesmo layout espacial, embora fossem distintas. Como previsto, o déjà vu era mais provável de acontecer quando as pessoas estavam em uma cena que continha o mesmo arranjo espacial de elementos de uma cena anterior que viram, mas não se lembravam”, explica Anne Cleary no The Conversation.

A pesquisa sugere que um fator que contribui para o fenômeno neurológico pode ser a semelhança espacial de uma nova cena com outra na memória que não consegue ser conscientemente lembrada no momento. No entanto, isso não significa que o layout parecido seja a única causa do déjà vu. “Muito provavelmente, outros fatores podem contribuir para o que faz uma cena ou situação parecer familiar. Mais pesquisas estão em andamento para investigar possíveis fatores adicionais em jogo nesse fenômeno misterioso”, completa a cientista.