Saúde
“Paradoxo de Cuomo”: estudo revela que obesidade e bebidas alcoólicas podem ajudar pacientes com câncer
Cientista da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) descobriu que fatores de risco para tumor e doenças cardíacas, ironicamente, podem favorecer certos pacientes

Especialistas têm alertado, há tempos, sobre o risco de câncer e de problemas cardiovasculares associados ao consumo de álcool e ao excesso de peso. Porém, um estudo publicado em junho de 2025, no periódico científico The Journal of Nutrition, que está sendo chamado de "paradoxo de Cuomo", revela que esses fatores de risco podem, na verdade, estar associados a uma chance maior de sobrevida ou de não apresentar sintomas após o diagnóstico da doença.
O responsável por essa descoberta inusitada é o biomédico Raphael E. Cuomo, da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos.
“A taça de vinho diária ou o alto nível de colesterol que os médicos costumavam reclamar podem, em alguns pacientes que já lutam contra o câncer ou doenças cardíacas, estar associados a uma maior sobrevida”, comenta o cientista ao jornal americano New York Post.
Ele deixa claro que não está dizendo para as pessoas beberem mais álcool ou se empanturrar de alimentos gordurosos. “Mas, o paradoxo mostra que não podemos presumir que as noções de prevenção do passado ainda se aplicam após um diagnóstico grave”, completa Cuomo.
Como lembra o jornal americano, a obesidade está associada à inflamação crônica em todo o corpo, o que pode danificar o DNA e promover o desenvolvimento de câncer. O excesso de peso também desequilibra hormônios importantes, estimulando o crescimento e a proliferação celular.
“Mas em pacientes com câncer submetidos a tratamentos que induzem caquexia, começar a terapia com uma massa corporal maior pode aumentar a probabilidade de sobrevivência”, conta o cientista ao New York Post.
A caquexia, que afeta até 80% dos pacientes com câncer avançado, é uma síndrome de desgaste complexa que leva à perda extensa de tecido adiposo e músculo esquelético.
O paradoxo de Cuomo não abrange apenas o mau comportamento.
“As pessoas costumam achar que consumir mais alimentos antioxidantes ajuda a aumentar a proteção, mas os estudos alertam para o contrário. De acordo com o ‘paradoxo de Cuomo’, um nutriente que parece protetor antes da doença pode deixar de ajudar (ou até mesmo prejudicar) quando uma doença grave surge”, diz o cientista da Universidade da Califórnia em San Diego.
Segundo Rapahel Cuomo, uma explicação para isso é que os tratamentos contra o câncer, como algumas formas de quimioterapia e radioterapia, dependem da indução de estresse oxidativo para matar as células cancerígenas. E os antioxidantes funcionam justamente para reduzir o estresse oxidativo.
Apesar dos achados no estudo recém-publicado, ainda há muito a ser analisado sobre o “paradoxo de Cuomo”, incluindo até que ponto fatores como tipo, estágio e tratamento do câncer influenciam os resultados.
Ainda assim, há um hábito popular que continua sendo um fator de risco e que não ajuda em nada pacientes obesos com câncer: o cigarro.
“O tabaco é um exemplo de comportamento em que os riscos associados são tão altos que é improvável que qualquer benefício percebido possa justificar seu uso”, alerta Cuomo ao New York Post.