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Ciência

Descoberta uma nova planta carnívora nada comum nos EUA

Por João Paulo Martins  em 10 de agosto de 2021

A Triantha occidentalis parece uma simples erva daninha, com flores brancas, mas pode se alimentar de pequenos insetos caso lhe faltem nutrientes

Descoberta uma nova planta carnívora nada comum nos EUA
Quem passa pela Triantha não poderia imaginar que ela pertence à classe das plantas carnívoras (Foto: Dgreenberger/CC BY-NC-ND 4.0/Divulgação)

Na costa oeste da América do Norte, do Alasca à Califórnia, existe uma planta comum, com flores brancas, que nasce no mato, inclusive perto de grandes cidades, que os cientistas acabam de descobrir se tratar de uma planta carnívora.

A Triantha occidentalis ou western false asphodel (falso asfódelo ocidental, em tradução livre), assim como as demais espécies com flores, usa os insetos na polinização, mas possui pelos pegajosos logo abaixo dessas flores para capturar e digerir os animaizinhos.

Quando se trata de plantas carnívoras que comem insetos, aranhas ou mesmo pequenos animais, logo pensamos em espécies como a Vênus (Dionaea muscipula), que fica sempre aberta como uma boca, aguardando a chegada da presa – que toca os pelos sensíveis e fica presa na “armadilha”.

No entanto, existem mais de 500 tipos de plantas carnívoras e, como mostra o estudo que será publicado na edição de 17 de agosto da revista científica PNAS, ainda é possível descobrir novos exemplares.

“Apenas em habitats nos quais os nutrientes são limitados você esperaria que tornar-se carnívora fosse uma vantagem”, comenta o botânico Thomas Givnish, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, um dos autores do estudo, citado pelo site americano de notícias científicas Science Alert.

Ele lembra que, quando o solo é pobre em nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, insetos podem ser um “lanchinho” muito bem-vindo.

Na pesquisa atual, os cientistas alimentaram as Trianthas com moscas-das-frutas marcadas com nitrogênio-15, para que o nutriente pudesse ser rastreado após a digestão das plantas.

Como mostra o site especializado, embora as que receberam o inseto tivessem menos nitrogênio do que as plantas vizinhas (não carnívoras), elas apresentaram nível substancialmente mais alto de nitrogênio-15. Com isso, os pesquisadores descobriram que cerca de 64% do nitrogênio obtido pelas Trianthas foi proveniente de insetos.

Mas essa espécie não é uma planta carnívora padrão, pois suas flores não são afastadas do aparato alimentar.

“O que é particularmente único sobre essa planta carnívora é que ela captura insetos perto de suas flores, que são polinizadas por insetos”, diz o botânico Qianshi Lin, então na Universidade de British Columbia, no Canadá, principal autor do estudo, também citado pelo Science Alert.

Fazer com que abelhas, borboletas ou outros insertos polinizadores se tornem alimentos apesar de precisar que eles voem para outras plantas da espécie e espalhem seu pólen parece uma estratégia arriscada.

No entanto, a Triantha possui uma solução bastante engenhosa, segundo os cientistas.

“Acreditamos que ela é capaz de fazer isso porque seus pelos glandulares não são muito pegajosos e só podem prender mosquitos e outros pequenos insetos, de modo que abelhas e borboletas, muito maiores e mais fortes, atuem como polinizadoras e não são capturadas”, explica Thomas Givnish ao site americano.